A Bahia acaba de conquistar um investimento estratégico em um dos segmentos mais promissores da transição energética mundial. A chinesa Windey Energy, uma das maiores fabricantes globais de equipamentos para energias renováveis, iniciou a implantação de sua primeira fábrica no Brasil, no Polo Industrial de Camaçari. A nova unidade será dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês), tecnologia considerada fundamental para ampliar a confiabilidade do sistema elétrico e acelerar a integração de fontes renováveis como energia eólica e solar.
O projeto marca a segunda etapa da presença da companhia no país. Em 2025, a Windey inaugurou seu escritório nacional e um centro de pesquisa e desenvolvimento em parceria com o Senai Cimatec, em Salvador. Agora, a empresa avança para a fase industrial, consolidando sua estratégia de longo prazo no mercado brasileiro.
O investimento previsto é de R$100 milhões nos próximos anos, incluindo aquisição de máquinas, equipamentos, importação de tecnologia e formação de equipes especializadas. Segundo a empresa, a unidade contará com elevado grau de automação industrial e deverá gerar entre 70 e 120 empregos diretos quando atingir sua plena operação.
Mercado em expansão
Os sistemas BESS vêm ganhando protagonismo no setor elétrico mundial por permitirem armazenar a energia produzida por fontes renováveis e liberá-la nos momentos de maior demanda ou menor geração. A tecnologia é vista como uma das principais soluções para enfrentar um dos maiores desafios da transição energética: a intermitência das fontes renováveis.
Com a expansão acelerada dos parques solares e eólicos no Brasil, cresce também a necessidade de infraestrutura capaz de armazenar energia e aumentar a estabilidade do sistema elétrico.
A escolha da Bahia reforça a posição do estado como um dos principais polos nacionais de energias renováveis, beneficiado pela combinação de recursos naturais abundantes, infraestrutura industrial consolidada e um ambiente favorável à atração de investimentos.

Bahia fortalece posição na cadeia da energia renovável
Além da produção industrial, a Windey pretende desenvolver programas de qualificação profissional em parceria com instituições de ensino e pesquisa, incluindo o Senai Cimatec.
A expectativa é formar mão de obra especializada para atender à demanda crescente do setor, desde funções operacionais até cargos técnicos e de engenharia.
A implantação da fábrica amplia a presença da Bahia na cadeia produtiva das energias renováveis, segmento que vem atraindo investimentos bilionários e impulsionando a diversificação da base industrial do estado.
Parte oficial
O lançamento da pedra fundamental ocorreu nesta terça-feira (9), no Polo Industrial de Camaçari, com a participação do governador Jerônimo Rodrigues, representantes da Windey Energy, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e autoridades estaduais.
Durante a cerimônia, o governador destacou o potencial da Bahia em energias renováveis e a importância estratégica do investimento para o desenvolvimento econômico do estado.
Já o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão, afirmou que a unidade será implantada com alto nível de automação industrial e deverá contribuir para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da cadeia de inovação associada ao setor energético.
“Estamos falando aqui da perspectiva de criar soluções, de habilitar uma indústria da energia, aproveitando o vento, que a Bahia tem em abundância, para produzir energia. Estamos falando de criar condições para atender demandas do setor econômico, onde ainda temos espaço para crescer”, concluiu o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos.
ANÁLISE
Por que a chegada da Windey importa para a Bahia?
A instalação da primeira fábrica brasileira da Windey Energy representa mais do que a chegada de uma nova indústria ao Polo de Camaçari. Ela sinaliza uma mudança de posição da Bahia dentro da economia da transição energética.
Durante anos, o estado se destacou principalmente como produtor de energia renovável. Agora, começa a avançar também na industrialização da cadeia produtiva associada a esse mercado.
O segmento escolhido pela Windey não é qualquer um. O armazenamento de energia por baterias é considerado uma das tecnologias mais estratégicas da próxima década. Sem sistemas capazes de armazenar eletricidade, o crescimento da energia solar e eólica enfrenta limitações operacionais importantes.
Na prática, isso significa que a Bahia passa a disputar espaço em um mercado global que movimenta bilhões de dólares e tende a crescer exponencialmente à medida que países ampliam suas metas de descarbonização.
Outro ponto relevante é a origem do investimento. A China domina atualmente boa parte da cadeia mundial de energias renováveis, incluindo baterias, painéis solares e equipamentos eólicos. A decisão da Windey de produzir localmente demonstra confiança no potencial do mercado brasileiro e fortalece a posição da Bahia como porta de entrada para investimentos asiáticos de alta tecnologia.
Há ainda um efeito industrial importante. Diferentemente de empreendimentos voltados apenas à geração de energia, uma fábrica cria demanda por fornecedores, serviços especializados, logística, engenharia, manutenção e qualificação profissional, ampliando os impactos econômicos sobre a região.
Para o Polo Industrial de Camaçari, que busca novos vetores de crescimento diante das transformações nos setores petroquímico e automotivo, a chegada da Windey reforça uma tendência cada vez mais clara: a transição energética está deixando de ser apenas uma pauta ambiental para se transformar em uma oportunidade concreta de reindustrialização e atração de investimentos para a Bahia.
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