O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Paulo Engler, está confiante de que o Programa Reforma Casa Brasil será o ponto de virada para o setor de materiais de construção. Ele afirma que o novo fundo de R$40 bilhões não apenas muda a perspectiva para 2026, mas já deve trazer um “alívio imediato” ao varejo ainda neste fim de ano. “A gente acredita que novembro e dezembro vão surpreender positivamente”, disse o executivo, durante entrevista exclusiva ao Webinar da Indústria.
O otimismo surge em um ano marcado por oscilações. A Abramat começou 2025 prevendo crescimento de 2,8% para o setor, mas revisou a projeção para 1,8% em agosto e, mais recentemente, para apenas 0,5%. Após um primeiro semestre aquecido, impulsionado pela venda de produtos de acabamento, o setor enfrentou uma forte queda em julho e agosto e estagnação em setembro. “O ano está muito emocionante”, resumiu Engler, apontando os anúncios recentes do governo como fatores decisivos para virar o jogo.
O Reforma Casa Brasil, que integra o Minha Casa, Minha Vida, tem meta inicial de 1,5 milhão de contratações e oferece juros de 12%, com processo simplificado e forte digitalização. Famílias com renda de até R$ 9,6 mil podem financiar reformas sem burocracia, um movimento que, segundo Engler, já provoca grande procura nas agências e plataformas da Caixa.
O setor espera que o programa aqueça principalmente as vendas de materiais básicos, como cimento, areia, tijolos e telhas, além de itens de hidráulica e elétrica. Segmentos que dependem fortemente do crédito, hoje mais escasso no mercado tradicional.

Transição
Os números mais recentes confirmam o momento de transição. Segundo o Índice Abramat/Ecconit, o faturamento da indústria de materiais ficou estável em outubro de 2025, mas mostra queda de 2% na comparação anual. Materiais básicos recuaram 1,5%, enquanto os de acabamento caíram 2,9%. Ainda assim, há sinais de estabilização: na comparação com setembro, os básicos avançaram 0,4%.
Para Engler, o cenário ainda exige cautela, mas já permite vislumbrar um novo ciclo. “Podemos encerrar o ano com leve crescimento e chegar a 2026 em um ambiente mais positivo”, afirma.
Fundada em 2004, a Abramat reúne cerca de 400 unidades fabris de 50 empresas líderes na produção de materiais de construção. A entidade monitora tendências, atua como interlocutora do setor e acompanha de perto os impactos dos programas federais na cadeia produtiva. Impactos que, agora, ganham nova relevância com o avanço do Reforma Casa Brasil.
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