A prévia da inflação de abril acendeu um alerta na Região Metropolitana de Salvador (RMS) — e o combustível foi o principal responsável por isso. O IPCA-15, divulgado nesta terça-feira pelo IBGE, avançou 1,19% na RMS, mais que o dobro do registrado em março (0,45%) e acima da média nacional (0,89%). Na prática, Salvador teve a segunda maior inflação do país no mês, atrás apenas de Belém.
Não é um movimento trivial. Trata-se da maior taxa para abril em 25 anos e o nível mais elevado desde o início de 2025. No acumulado do ano, a inflação já chega a 2,82% – acima do Brasil – mostrando que a pressão não é pontual.
Combustíveis
O grupo Transportes disparou 3,43%, puxado por um salto expressivo de 13,66% nos combustíveis – o maior avanço em mais de 15 anos. A gasolina registrou uma alta de 13,43%, mas não veio sozinha: o diesel subiu 21,92% e o etanol, 8,59%. É o tipo de choque que se espalha rapidamente pela economia, pressionando custos logísticos, fretes e, inevitavelmente, o preço final de produtos e serviços.
Ou seja, não é só abastecer que ficou mais caro é toda a cadeia que sente.
Houve algum alívio pontual, como a queda nas passagens aéreas (-23,15%), que ajudou a conter um avanço ainda maior do índice. Mas foi pouco diante do peso dos combustíveis.
A alimentação aparece logo atrás como segunda maior pressão, com alta de 1,19%, puxada principalmente pelos alimentos consumidos em casa. Produtos básicos como tomate, cenoura e cebola registraram aumentos expressivos, reforçando o impacto direto no bolso.
O cenário que se desenha é claro: a inflação na RMS ganha tração com um componente clássico – energia e combustíveis – que tende a contaminar outros setores. Mais do que um pico isolado, o dado de abril levanta um sinal de atenção sobre o custo de vida na capital baiana e região.
Se o combustível segue pressionado, o efeito cascata já está contratado.
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