A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta segunda-feira, 22, no Rio de Janeiro, durante evento em comemoração aos 74 anos do Banco, o resultado do primeiro leilão do ProFloresta+, iniciativa conjunta voltada à compra de créditos de carbono de alta integridade gerados a partir da restauração ecológica de áreas degradadas na Amazônia.
Foram selecionadas três empresas desenvolvedoras de projetos: Systemica, vencedora de lote de 2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, ao preço de US$ 55,33/tCO₂e; brCarbon, também vencedora de lote de 2 milhões de tCO₂e, ao preço de US$ 55,76/tCO₂e; e re.green, selecionada para lote de 1 milhão de tCO₂e, ao preço de US$73,82/tCO₂e.
O primeiro leilão prevê a aquisição, pela Petrobras, de 5 milhões de créditos de carbono originados de projetos de restauração ecológica com espécies nativas no bioma amazônico. A iniciativa deverá mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos, apenas em plantio, gerar 6,3 mil empregos verdes, viabilizar o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar 5 milhões de toneladas de carbono.
“Este resultado mostra que o Brasil tem condições de liderar uma nova economia global baseada na restauração, na biodiversidade e na geração de créditos de carbono de alta integridade. O ProFloresta+ combina demanda firme, financiamento de longo prazo e transparência na formação de preços, criando segurança para investidores e escala para recuperar áreas degradadas da Amazônia. É uma iniciativa inovadora, construída com a Petrobras, que transforma a floresta em ativo econômico, climático e social para o Brasil, sob liderança do presidente Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
“O ProFloresta+ inaugura um mecanismo inovador e efetivo para recuperação ecológica da Amazônia, que traz benefícios para todos os atores envolvidos. Contribuirá para que a Petrobras atenda a seus compromissos climáticos de net zero, ao mesmo tempo em que viabiliza o desenvolvimento do setor de restauração florestal do país, que passa a ter a garantia de retorno para seus investimentos com a demanda firme de compra de créditos pela Petrobras. É uma iniciativa rentável para as empresas, para comunidades locais e para o meio ambiente”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Lacuna
Fruto de parceria entre BNDES e Petrobras, o ProFloresta+ foi criado para responder a uma lacuna relevante do mercado: a ausência de demanda firme por créditos de carbono de alta integridade. A iniciativa estrutura contratos públicos de longo prazo, com compra garantida pela Petrobras, e conecta os projetos vencedores a condições diferenciadas de financiamento do BNDES, como o Fundo Clima – Florestas Nativas.
Por meio do ProFloresta+, será revelado pela primeira vez o preço negociado em uma transação pública de créditos de carbono de restauração ecológica no Brasil, com contratos de 25 anos e elevado conjunto de salvaguardas sociais e ambientais. O modelo busca ampliar a confiança no mercado voluntário de carbono, dar previsibilidade a investidores e fortalecer a cadeia da restauração florestal.
“O ProFloresta+ inaugura uma nova etapa para a restauração ecológica no Brasil. Estamos falando de projetos com espécies nativas, com biodiversidade, com geração de empregos verdes e com impacto direto na reconstrução da floresta amazônica. O BNDES entra com instrumentos financeiros capazes de dar escala a esse mercado, e a Petrobras entra como compradora de créditos de alta integridade. Essa combinação é decisiva para transformar a restauração em uma atividade economicamente viável e socialmente inclusiva”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Os vencedores do leilão poderão buscar financiamento do BNDES por meio das melhores condições disponíveis para restauração ecológica no país. Entre as alternativas está o Fundo Clima – Florestas Nativas, que oferece taxa de juros em torno de 2% ao ano, prazo total de até 25 anos, carência em torno de cinco anos e financiamento de até R$250 milhões por projeto.
No conjunto, o ProFloresta+ tem potencial de alcançar até 15 milhões de toneladas de créditos de carbono em parceria entre BNDES e Petrobras, com restauração de até 50 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia, através de novos editais para compra de créditos de carbono oriundos de projetos de restauração florestal. A iniciativa integra a estratégia BNDES Florestas, frente do Banco que articula crédito, recursos não reembolsáveis, inovação financeira e apoio técnico para desenvolver, em escala, o setor de restauração ecológica e da bioeconomia florestal no país.
A construção do ProFloresta+ contou com contribuições técnicas do escritório Mattos Filho, do Imaflora, da Agroícone e do Instituto Clima e Sociedade, além de sugestões recebidas por meio de consulta pública. O processo resultou em instrumentos de referência para o mercado, com contrato público de longo prazo, critérios rigorosos de integridade, salvaguardas socioambientais e maior transparência na formação de preços do carbono.
Sobre o ProFloresta+
Anunciado em março de 2025 por BNDES e Petrobras, o ProFloresta+ incentiva a restauração florestal na Amazônia remunerada pela venda de créditos de carbono. A iniciativa busca promover a recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, fortalecer o mercado voluntário de carbono no Brasil e contribuir para os compromissos climáticos das empresas brasileiras.
Leia também: Motoristas de aplicativo têm maior risco de endividamento, alerta TST


























