O primeiro leilão brasileiro voltado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias começou cercado de uma demanda muito acima das expectativas. O cadastramento realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu 6.091 projetos, que juntos representam 296.807 megawatts (MW) de potência instalada – o maior volume de empreendimentos já registrado em um certame do setor elétrico nacional.
O número não significa que todos os projetos disputarão o leilão, mas revela o tamanho do interesse dos investidores por uma tecnologia considerada estratégica para o futuro da matriz elétrica brasileira. Agora, os empreendimentos passarão por análise técnica da EPE e apenas os habilitados poderão participar das próximas etapas da licitação.
Os leilões, previstos para este ano, vão contratar potência proveniente de novos sistemas de armazenamento em baterias com fornecimento previsto a partir de 2028. A iniciativa busca aumentar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) em um cenário de rápida expansão das fontes renováveis, especialmente solar e eólica.
Baterias entram na agenda do setor elétrico
O volume de projetos cadastrados reforça uma mudança importante no planejamento energético brasileiro. Até poucos anos atrás, os sistemas de armazenamento eram vistos como uma tecnologia complementar. Agora, passam a ocupar posição estratégica para garantir flexibilidade ao sistema elétrico.
À medida que cresce a participação das fontes renováveis, cuja geração depende das condições climáticas, aumenta também a necessidade de armazenar energia para utilização nos momentos de maior consumo ou de menor produção. É justamente esse papel que as baterias deverão desempenhar.
Além de ampliar a segurança do sistema, o armazenamento pode reduzir restrições operacionais, evitar desperdício de energia renovável e diminuir a necessidade de acionamento de usinas térmicas em períodos críticos.
Dois leilões com objetivos distintos
O Ministério de Minas e Energia estruturou dois certames. Um deles será destinado exclusivamente a projetos que utilizem sistemas de armazenamento com conteúdo nacional. O outro será aberto aos demais empreendimentos elegíveis.
A expectativa do governo é que a contratação estimule a formação de uma cadeia produtiva para o setor de baterias no país, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de resposta do sistema elétrico diante do crescimento da demanda por energia.
A quantidade definitiva de projetos participantes, no entanto, só será conhecida após a conclusão da etapa de habilitação técnica conduzida pela EPE.
ANÁLISE ENERGIA NEWS
Os números do cadastramento mostram que o mercado enxerga o armazenamento de energia como um dos próximos grandes ciclos de investimento da infraestrutura elétrica brasileira.
O país avançou rapidamente na geração solar e eólica, mas ainda possui capacidade limitada para armazenar essa energia quando a produção supera o consumo. Esse desequilíbrio já provoca episódios de restrição na operação do sistema e até cortes temporários na geração renovável.
Se os leilões tiverem sucesso, o Brasil poderá iniciar uma nova etapa da transição energética, em que as baterias deixam de ser apenas uma solução tecnológica para se tornar um ativo essencial para garantir estabilidade, segurança e eficiência ao sistema elétrico.
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