Sergipe entra em uma nova fase de expansão energética com a implantação da UTE Porto Sergipe II, projeto liderado pela Eneva que prevê investimentos próximos a R$7 bilhões até 2028. A nova usina, na Barra dos Coqueiros, deve adicionar 1,3 GW de capacidade instalada, praticamente dobrando o potencial de geração do complexo, que hoje já entrega 1,6 GW com a operação da Porto Sergipe I.
Além do impacto direto na matriz energética, o empreendimento deve gerar cerca de 3 mil empregos diretos nos próximos dois anos, durante a fase de construção, com efeito multiplicador relevante na cadeia de fornecedores e serviços. O projeto foi viabilizado após a vitória da companhia no Leilão de Reserva de Capacidade, consolidando Sergipe como um dos principais polos termelétricos do país.
Do ponto de vista econômico, a ampliação do hub de gás natural e geração térmica reforça o papel estratégico do estado na segurança energética nacional, especialmente em um cenário de maior demanda por fontes despacháveis para complementar a geração renovável.
Na prática, o projeto tende a dinamizar setores como construção pesada, logística, serviços industriais e fornecimento de equipamentos, ampliando o nível de atividade na região da Barra dos Coqueiros e entorno. Para o presidente Nacional da Eneva, Lino Cançado, a construção coloca Sergipe como um dos estados mais relevantes do Brasil em termos de capacidade de geração termelétrica.
“É a implementação de um projeto que a gente já vinha idealizando há três anos e que finalmente se sagrou vencedor do leilão na semana passada, e a implantação já começou, onde nós vamos praticamente dobrar a capacidade instalada aqui em Sergipe. É um empreendimento que movimenta a economia local, movimenta tudo que está em volta da construção e da operação dessa usina, tem toda uma cadeia de suprimentos que vai muito mais além dos 3 mil empregos gerados, mas toda uma cadeia de suprimentos local que vai ter que se adequar e fornecer bens e serviços para esse empreendimento”, afirmou.

Política, emprego e qualificação
Durante visita ao canteiro de obras, o governador Fábio Mitidieri destacou o impacto do investimento na geração de empregos e no ciclo econômico local, classificando o momento como positivo para o estado.
A principal preocupação do governo, no entanto, passa pela qualificação da mão de obra para absorver as vagas geradas. A estratégia envolve programas estaduais voltados à formação profissional, com foco na população local e em municípios vizinhos.
Segundo o secretário de Trabalho, Jorge Teles, o desafio será alinhar capacitação às demandas técnicas do projeto, garantindo maior participação de trabalhadores sergipanos nas oportunidades geradas.
Já a Eneva reforça que o impacto vai além dos empregos diretos. A companhia destaca a criação de uma cadeia de suprimentos local, com demanda por bens e serviços ao longo da construção e operação da usina.
Leitura de mercado
A expansão da UTE Porto Sergipe II confirma o avanço do gás natural como vetor de crescimento industrial no Nordeste. Ao mesmo tempo, reforça uma tendência: grandes projetos energéticos seguem como âncora de desenvolvimento regional, com forte capacidade de atrair investimentos e induzir cadeias produtivas.
O desafio, como em outros estados da região, será converter esse ciclo de investimentos em ganhos estruturais — especialmente em qualificação, produtividade e diversificação econômica.
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